Nikolas pressiona Alcolumbre por impeachment de Toffoli do STF

Geovana Nascimento


O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou suas redes sociais nesta quarta-feira (11) para elevar o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e pressionar diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O parlamentar exige que seja pautado o processo de impeachment do ministro Dias Toffoli, na esteira das novas e graves revelações envolvendo a Operação que investiga o Banco Master.

A reação do deputado ocorre após a divulgação de laudos da Polícia Federal (PF) que identificaram, no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, mensagens sugerindo repasses financeiros que teriam como beneficiário o magistrado da Suprema Corte.

"Inacreditável como todo mundo está vendo os escândalos do Master, menos o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Já passou da hora de abrir o impeachment do Toffoli. Acorda, Senado!" — escreveu Nikolas em sua conta no X (antigo Twitter).

O conteúdo das mensagens e a perícia da PF

A pressão política sobre Toffoli intensificou-se após o jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, divulgar detalhes de uma perícia concluída pela Polícia Federal nesta quarta-feira (11). O documento analisa conversas extraídas dos aparelhos apreendidos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo a reportagem, autoridades públicas são citadas em diversos trechos. O foco dos investigadores recai sobre diálogos de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado, que faz referências explícitas a transferências de valores supostamente ligadas ao ministro. Mais alarmante para a defesa do magistrado, a PF relatou que o próprio Toffoli teria feito menções a pagamentos em mensagens, embora utilizando uma linguagem "cifrada".

A linha de investigação busca conectar esses repasses a uma complexa engenharia financeira envolvendo o Resort Tayayá, um empreendimento de luxo no interior do Paraná. A suspeita é que eventuais valores tenham transitado por uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master neste resort.

Toffoli admite sociedade, mas nega ilicitude

Diante do cerco das investigações e da repercussão negativa, o ministro Dias Toffoli apresentou uma nova versão aos seus interlocutores em Brasília. O magistrado admitiu ter recebido valores da empresa Maridt, justificando que tais montantes são fruto de sua participação societária no negócio, que integrava o quadro de proprietários do Tayayá Resort.

A explicação de Toffoli tenta desvincular os pagamentos de qualquer ato de corrupção ou venda de sentença. Segundo ele:

  • A Maridt é uma empresa familiar da qual ele é sócio há anos.
  • Seu nome não aparece nos registros públicos comuns porque a empresa é uma Sociedade Anônima (S.A.) de capital fechado, onde a lista de acionistas é preservada.
  • A administração formal da empresa cabe a dois irmãos do ministro, e não a ele.

O ministro detalhou que a Maridt possuía 33% do resort e vendeu essa participação em 2021 para o Fundo Arleen, que possui ligações com a estrutura do Banco Master. "Os valores recebidos decorrem dessa operação e foram lícitos, declarados à Receita Federal e com origem e destino rastreáveis", teria afirmado Toffoli a aliados.

Ele argumenta ainda que, no exercício de sua função no STF, não protegeu o banco, citando como prova o fato de ter deferido pedidos da PF em investigações contra a instituição, incluindo mandados de busca e apreensão.

Batalha Jurídica: "Ilações" e "Vazamentos"

A defesa jurídica do caso se transformou em um ataque à legitimidade da Polícia Federal. O gabinete de Toffoli classificou o relatório da PF e o pedido de suspeição do ministro como baseados em meras "ilações", sem respaldo jurídico concreto.

A nota oficial do gabinete sustenta uma tese processual: "A Polícia Federal não tem legitimidade para requerer a suspeição de um magistrado por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil". Essa estratégia visa anular a competência da polícia em questionar a imparcialidade do juiz.

Paralelamente, a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro adotou a estratégia de criticar a exposição do caso. Em nota, os advogados lamentaram o que chamam de "vazamentos seletivos".

"A divulgação de trechos das investigações gera constrangimentos indevidos, favorece a construção de narrativas equivocadas e prejudica o direito de defesa. A defesa reafirma sua confiança nas instituições... destacando que o esclarecimento completo depende de apuração técnica."

O cenário no Senado

A pressão exercida por Nikolas Ferreira reflete o ânimo de parte da oposição, que vê no caso uma oportunidade concreta para emparedar o Supremo. No entanto, a abertura de um processo de impeachment depende exclusivamente da vontade política de Davi Alcolumbre.

Até o momento, o presidente do Senado tem mantido uma postura de cautela institucional, evitando confrontos diretos com o STF. A revelação das mensagens e a admissão de Toffoli sobre a sociedade na empresa do resort, contudo, podem alterar o cálculo político nas próximas semanas, municiando a oposição com argumentos de que houve mistura indevida entre interesses privados e a função pública.

Com informações da CNN Brasil e Pleno News.

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