Advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, passa por cirurgia para colocação de stents em São Paulo
Aos 56 anos, a advogada descobriu um entupimento arterial durante exames de rotina. Internação ocorre em um momento de intensas pressões políticas e investigações envolvendo o entorno familiar.
A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, foi internada no renomado hospital Vila Nova Star, localizado na zona sul da capital paulista, onde foi submetida a um procedimento cirúrgico para a colocação de stents nas artérias. A informação, que circulou inicialmente nos bastidores de Brasília e São Paulo, foi confirmada ao portal UOL por três fontes distintas e independentes ligadas ao entorno da família e ao setor de saúde.
Segundo os detalhes apurados pela reportagem, Viviane, que tem 56 anos, descobriu a obstrução arterial de forma profilática, durante a realização de exames médicos de rotina. A internação na capital paulista ocorreu durante a primeira semana deste mês. O procedimento realizado é considerado um padrão ouro na cardiologia moderna para tratar esse tipo de quadro clínico.
O que é o procedimento de colocação de stent?
A intervenção médica à qual a advogada foi submetida envolve a utilização de um stent, que é um pequeno tubo metálico, frequentemente em formato de malha expansível. Ele é inserido nas artérias com o objetivo de restaurar e manter o fluxo sanguíneo adequado para o coração, evitando complicações graves, como um infarto agudo do miocárdio.
A descoberta precoce do entupimento, graças aos exames preventivos, permitiu que a equipe médica atuasse de forma rápida e minimamente invasiva. Procedimentos como a angioplastia com implante de stent têm uma alta taxa de sucesso e geralmente exigem um tempo de recuperação hospitalar relativamente curto, permitindo que o paciente retome suas atividades habituais após um período de repouso e adaptação.
Contexto de pressões políticas e sanções internacionais
O episódio de saúde envolvendo Viviane de Moraes não ocorre em um vácuo. Nos últimos anos, a família do ministro Alexandre de Moraes tem sido o epicentro de uma série de pressões políticas, jurídicas e midiáticas de altíssima intensidade, decorrentes do papel central que o magistrado assumiu na condução de inquéritos sensíveis no STF e na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o último ciclo eleitoral.
No ano passado, Viviane Barci de Moraes enfrentou um cenário diplomático e financeiro complexo ao ser alvo de sanções do governo dos Estados Unidos. A medida foi aplicada com base na Lei Magnitsky (Magnitsky Act), uma legislação americana que autoriza o governo daquele país a sancionar cidadãos estrangeiros sob diversas alegações. A sanção também atingiu diretamente o ministro Alexandre de Moraes.
Na prática, a inclusão na lista de sanções impedia o casal de manter relações comerciais ou institucionais com entidades ligadas ao sistema financeiro americano, além de restringir o trânsito de bens sob jurisdição dos EUA. A situação gerou um profundo mal-estar nos bastidores de Brasília. Contudo, essa restrição foi oficialmente revogada em dezembro do ano passado. A reversão da medida ocorreu na esteira de uma melhora nas relações bilaterais e no diálogo diplomático entre o governo brasileiro e os Estados Unidos, esvaziando a pressão internacional sobre a família.
O caso Banco Master e as investigações da Polícia Federal
Além das questões internacionais, o nome de Viviane Barci de Moraes tem figurado no noticiário investigativo nacional. Nos últimos meses, a advogada foi citada no contexto de um contrato de honorários advocatícios no valor de expressivos R$ 129 milhões firmado com o Banco Master. A existência desse acordo foi revelada em primeira mão pelo jornal O Globo.
A revelação veio à tona durante o aprofundamento de investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF), que apura um suposto esquema de fraudes financeiras atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira. A citação da advogada no escopo dessas investigações trouxe novos contornos ao debate sobre a relação entre grandes escritórios de advocacia sediados em Brasília e o sistema financeiro, especialmente quando envolvem familiares de autoridades da cúpula do Judiciário.
O caso ganhou ainda mais complexidade e repercussão jurídica devido aos achados tecnológicos da PF. Durante a perícia realizada no aparelho celular apreendido de Daniel Vorcaro, os investigadores encontraram menções ao ministro Dias Toffoli, colega de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal. Diante do surgimento do seu nome nas mensagens e do potencial conflito de interesses ou desgaste institucional, o ministro Toffoli decidiu deixar a relatoria do caso assim que o inquérito se tornou de conhecimento público. A saída de Toffoli do processo ampliou exponencialmente a repercussão midiática sobre o contrato do Banco Master e sobre os desdobramentos da operação.
Atuação no STF e o debate ético no Judiciário
Para além do contrato com a instituição financeira de Vorcaro, a carreira jurídica de Viviane Barci de Moraes também é objeto de escrutínio público devido à sua atuação direta nas cortes superiores. Um levantamento recente demonstrou que o nome da advogada consta como representante legal em ao menos 31 processos públicos em tramitação no próprio Supremo Tribunal Federal.
Um ponto frequentemente destacado por analistas e críticos é que a maior parte desses processos começou a tramitar na Corte Suprema após a posse de Alexandre de Moraes como ministro. Embora a legislação brasileira permita que cônjuges de magistrados atuem como advogados — estabelecendo apenas que o ministro se declare impedido de julgar os processos patrocinados por seu parceiro —, o tema é motivo de constantes debates no meio jurídico e na sociedade civil.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e associações de magistrados frequentemente discutem os limites e a ética dessa atuação. Enquanto alguns defendem o livre exercício da profissão assegurado pela Constituição, outros apontam para o risco de assimetria de poder e influência implícita quando parentes de primeiro grau de ministros da Suprema Corte despacham nos gabinetes e tribunais onde seus familiares exercem a jurisdição máxima do país.
Silêncio oficial e o espaço para manifestação
Diante do quadro de saúde e das recentes menções ao nome da advogada em casos de ampla repercussão, a imprensa tem buscado respostas oficiais para esclarecer os fatos e dar voz aos envolvidos. A reportagem entrou em contato tanto com o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal, quanto com a assessoria de imprensa do hospital Vila Nova Star, em São Paulo, solicitando notas e comentários sobre a internação e o estado de saúde de Viviane.
Até o fechamento e a publicação deste texto, no entanto, não houve nenhum retorno oficial por parte do gabinete do magistrado ou da instituição hospitalar, que costuma preservar o sigilo médico de seus pacientes a menos que haja autorização expressa da família para a divulgação de boletins médicos. Da mesma forma, não houve pronunciamento público da defesa de Viviane sobre as citações na investigação da Polícia Federal.
O espaço, em respeito às boas práticas jornalísticas e ao princípio do contraditório, segue integralmente aberto para que as partes possam apresentar suas manifestações, esclarecimentos e atualizações sobre o quadro clínico da advogada, bem como sobre as questões jurídicas levantadas ao longo dos últimos meses.

