Reviravolta no STF: Dias Toffoli deixa a relatoria do 'Caso Master' após documento da PF
Decisão ocorre em meio a pressões políticas e envio de relatório da Polícia Federal ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Em um movimento que sacudiu os bastidores do Poder Judiciário nesta quinta-feira (12), o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou que deixará a relatoria do polêmico caso envolvendo o Banco Master. A decisão foi formalizada após uma reunião fechada entre os membros da Corte e divulgada em nota oficial assinada por todos os magistrados.
O anúncio da saída de Toffoli ocorre em um momento de extrema sensibilidade política e jurídica. No mesmo dia, a Polícia Federal (PF) encaminhou um documento sigiloso ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. O relatório detalharia a relação entre o agora ex-relator e Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira Master. Essa proximidade vinha sendo alvo de questionamentos e pedidos de suspeição nos últimos dias.
Interesses Institucionais e Manutenção da Validade
Segundo o comunicado oficial emitido pelo STF, o pedido de redistribuição partiu do próprio Toffoli, que justificou a medida com base nos "altos interesses institucionais". O objetivo central parece ser preservar a imagem da Corte e evitar que o mérito do processo seja contaminado por discussões sobre a imparcialidade do julgador.
Entretanto, para evitar um efeito cascata de anulações, os 10 ministros do STF fizeram questão de blindar as decisões anteriores de Toffoli. Na nota, o tribunal afirma categoricamente que não há caso de suspeição ou impedimento legal. "Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121", destaca o texto assinado pela cúpula do Judiciário.
"Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria Geral da República", ressalta o STF, em uma tentativa de demonstrar que o ministro não teria beneficiado o banco ou seus sócios.
Pressão no Legislativo e Contexto Político
A saída de Toffoli não ocorreu no vácuo. O cenário de pressão se intensificou após um senador acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando formalmente o afastamento do ministro do caso. Além disso, as notícias sobre as conexões entre o magistrado e Daniel Vorcaro ganharam tração na mídia, gerando um desgaste que a presidência de Edson Fachin buscou estancar com a reunião de hoje.
Enquanto o Judiciário lida com essa crise interna, o clima em Brasília também é de cautela em outras frentes. O Palácio do Planalto, por exemplo, emitiu orientações rígidas aos seus ministros para o período do Carnaval, vetando transmissões ao vivo (lives) e o gesto de "fazer o L", buscando evitar polêmicas desnecessárias enquanto o governo tenta manter uma base aliada estável no Congresso.
Próximos Passos do Caso Master
Com a saída de Toffoli, o processo passará por uma livre redistribuição entre os demais ministros da Corte, excluindo apenas o próprio Toffoli e, possivelmente, o presidente Fachin, dependendo das normas regimentais de sorteio. O novo relator herdará um caso volumoso e sob intenso escrutínio público.
Leia a íntegra da nota do STF:
Os 10 Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição... [Continua com o texto oficial assinado por Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e demais ministros].
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