Crise de confiança no STF: Ministros suspeitam que Toffoli gravou reunião secreta sobre o caso Banco Master
O clima no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu um nível de tensão inédito nesta sexta-feira. Ministros da Corte passaram a desconfiar que o colega Dias Toffoli teria realizado uma gravação clandestina durante a sessão reservada ocorrida na última quinta-feira (12). A reunião, realizada a portas fechadas, selou a saída do magistrado da relatoria do processo envolvendo as investigações do Banco Master.
A suspeita de que o próprio ministro teria registrado o encontro surgiu após o conteúdo das conversas vir a público em uma reportagem do site Poder360. O que chamou a atenção dos integrantes da Corte foi a precisão cirúrgica dos diálogos divulgados, com reprodução literal de frases e argumentos, algo incomum em vazamentos baseados apenas na memória dos presentes.
Nos bastidores, a avaliação é de "perplexidade" e "desconforto absoluto". Para diversos magistrados, o episódio representa uma quebra de confiança sem precedentes na história recente do tribunal, transformando o ambiente colegiado em um cenário de vigilância mútua
Vazamento Seletivo e Defesa da "Fé Pública"
Segundo a apuração de bastidores, ministros chegaram a encaminhar a reportagem diretamente para Toffoli, confrontando-o com a tese de que aquele nível de detalhe só poderia ter sido obtido por meio de um dispositivo de gravação. Mais do que a fidelidade das falas, o que irritou os magistrados foi a seletividade do vazamento.
A percepção interna é de que os trechos divulgados foram cuidadosamente escolhidos para construir uma narrativa favorável a Toffoli. As falas selecionadas mostram uma defesa enfática do ministro contra o que seria uma "retaliação" da Polícia Federal, ocultando a complexidade dos debates que, ao final, resultaram na convicção de que ele deveria deixar o caso para preservar a imagem da instituição.
O que disseram os ministros na reunião secreta
De acordo com os diálogos revelados, houve uma forte reação corporativa contra o relatório da Polícia Federal que colocou Toffoli sob suspeita. O decano Gilmar Mendes teria atribuído as investigações a uma vingança institucional:
"Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar."
A ministra Cármen Lúcia, por sua vez, trouxe a preocupação com a opinião pública, embora tenha manifestado confiança no colega. Ela teria usado uma anedota popular para ilustrar o desgaste da Corte:
"Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo."
Ainda segundo o vazamento, Cármen defendeu uma resolução rápida para "pensar na institucionalidade", indicando que, apesar da confiança pessoal, a situação era insustentável politicamente.
Críticas duras à Polícia Federal
O tom subiu com as falas atribuídas a Luiz Fux e Nunes Marques, que defenderam a autoridade do cargo de ministro. Fux teria sido taxativo:
"O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo."
Já Nunes Marques teria alertado para o risco de subversão da hierarquia jurídica, onde delegados passariam a tutelar juízes:
"Para mim, isso é um nada jurídico. Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil. O sr. [Fachin] não pode colocar em votação a arguição."
O "Lixo Jurídico" e a Saída Política
Os ministros indicados pelo atual governo também se alinharam na crítica técnica ao trabalho da PF. Cristiano Zanin comparou o relatório de 200 páginas do caso Master com outros inquéritos sob sua relatoria, questionando a disparidade de informações e sugerindo nulidade:
"Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do STJ e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas... Isso aqui tudo é nulo."
Flávio Dino foi ainda mais incisivo, classificando o documento policial como imprestável, mas reconhecendo que o problema ultrapassava a esfera legal:
"Essas 200 páginas [de relatório da PF] para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente."
André Mendonça também minimizou as acusações sobre suposta proximidade entre Toffoli e investigados: "Relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa? Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado."
O Desfecho e a Negativa
Apesar de todas as manifestações de solidariedade e dos ataques à qualidade do inquérito da PF, o colegiado concluiu que a permanência de Toffoli na relatoria era inviável dada a pressão política e o desgaste institucional. O ministro acabou deixando o caso, que foi redistribuído.
Procurado para comentar as suspeitas dos colegas sobre a gravação clandestina, Dias Toffoli negou veementemente a autoria do registro ou do vazamento:
"Não gravei e não relatei nada para ninguém."
O episódio deixa uma cicatriz aberta no Supremo, sugerindo que, embora unidos na defesa das prerrogativas da toga contra investigações externas, a confiança interna entre os onze ministros está, neste momento, abalada.
Com informações do Pleno News e Poder360.

