Cármen Lúcia disse que caso Toffoli “sangrava” o STF

Geovana Nascimento

 

"Todo taxista fala mal do Supremo": Cármen Lúcia alertou colegas sobre crise de imagem e defendeu saída rápida de Toffoli

Uma reunião a portas fechadas realizada na última quinta-feira (12) revelou o tamanho da preocupação interna no Supremo Tribunal Federal (STF) com a opinião pública. A ministra Cármen Lúcia, decana entre as mulheres da Corte, foi a voz mais contundente ao alertar os pares sobre o desgaste institucional provocado pelas investigações envolvendo o ministro Dias Toffoli e o Banco Master.

Trechos do encontro reservado, divulgados em reportagem do site Poder360, mostram uma ministra pragmática, tentando equilibrar a solidariedade ao colega com a necessidade urgente de estancar uma crise que, segundo ela, contamina todo o tribunal. A avaliação de Cármen foi decisiva para que o STF optasse pela saída de Toffoli da relatoria do caso.

O "Termômetro" das Ruas

Em um dos momentos mais marcantes do diálogo vazado, Cármen Lúcia utilizou uma experiência cotidiana para ilustrar o isolamento da Corte em relação à sociedade. Ao defender que a situação era insustentável, ela teria dito:

"Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo."

A frase ecoou entre os ministros como um alerta de que a blindagem institucional poderia não resistir a mais um escândalo prolongado. Para Cármen, o episódio envolvendo supostas mensagens e pagamentos ligados a Toffoli não era apenas um problema individual do magistrado, mas um vetor de deslegitimação de todo o Poder Judiciário.

"Sangramento" Institucional e Pressa

Ainda segundo a apuração do Poder360, a ministra defendeu uma solução cirúrgica e rápida. O objetivo era evitar que o caso se arrastasse durante o feriado de Carnaval, período em que as narrativas poderiam se consolidar negativamente contra o tribunal.

Cármen Lúcia teria sugerido, inclusive, a realização de uma sessão extraordinária na sexta-feira (13) para resolver a questão da relatoria de uma vez por todas. O argumento utilizado foi visceral:

"Para isso não ficar sangrando, porque não é só você [Toffoli] que sangra, é a Corte inteira."

Essa declaração expõe a estratégia de "redução de danos" adotada pelo STF. A manutenção de Toffoli à frente do inquérito do Banco Master, diante das revelações da Polícia Federal, foi vista como um passivo tóxico que municiaria a oposição no Congresso — onde, como citado acima, já se acumulam mais de duas dezenas de pedidos de impeachment contra o ministro.

Confiança Pessoal x Dever Institucional

O relato da reunião mostra uma Cármen Lúcia tentando não romper os laços de coleguismo, mas sendo firme quanto ao dever maior do cargo. Ela afirmou textualmente ter "confiança" na idoneidade de Dias Toffoli, mas ressaltou que, naquele momento crítico, era imperativo "pensar na institucionalidade".

Um detalhe curioso revelado pela reportagem é que, no momento em que defendia a saída do colega, a ministra admitiu que sequer havia lido o relatório completo da Polícia Federal que motivou a crise. Ela teria dito que faria a leitura do documento "à noite".

Essa admissão sugere que a decisão política de afastar Toffoli do caso foi tomada com base na repercussão e no risco de imagem, independentemente da análise técnica minuciosa das provas naquele instante. Para a ministra, a percepção de contaminação era, por si só, um fato consumado que exigia resposta imediata.

Bastidores de Desconfiança

A divulgação desses diálogos literais, atribuídos a uma reunião que deveria ser sigilosa, gerou um efeito colateral grave: a desconfiança mútua. Conforme noticiado anteriormente, outros ministros suspeitam que o próprio Toffoli ou alguém muito próximo tenha gravado a reunião clandestinamente para, eventualmente, usar os trechos onde recebe apoio (como as falas de Gilmar Mendes e Luiz Fux) em sua defesa pública.

No entanto, as falas de Cármen Lúcia acabaram ganhando destaque justamente por expor a fragilidade do tribunal perante a opinião pública, validando a tese de que o STF está ciente de sua impopularidade.


Fonte: Poder360 e Pleno News.

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