Toffoli afirma que seguirá como relator do caso Banco Master e diz estar disposto a “apanhar” no STF
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou a colegas da Corte que não pretende abrir mão da relatoria do chamado caso Banco Master, mesmo diante das críticas internas e externas à sua condução do processo. Segundo relatos de bastidores, o magistrado foi enfático ao declarar que seguirá à frente da ação “mesmo que apanhe o que tiver que apanhar”, numa referência direta à pressão que vem sofrendo nos últimos dias.
A informação foi revelada em apuração da jornalista Daniela Lima, publicada no portal UOL, e indica que Toffoli respondeu de forma dura aos questionamentos feitos por outros ministros. De acordo com o relato, o magistrado lembrou episódios passados envolvendo integrantes da própria Corte, mencionando situações em que ministros teriam utilizado aviões vinculados a grandes empresários, numa tentativa de rebater críticas relacionadas a viagens e possíveis conflitos de interesse.
Nos bastidores do STF, a postura de Toffoli foi descrita como combativa. A jornalista chegou a afirmar, de forma metafórica, que o ministro “pegou em armas” para se defender das acusações e deixou claro que não aceitará ser afastado da relatoria. “Não vou abrir mão [do caso]”, teria afirmado Toffoli de maneira taxativa, reforçando sua disposição de enfrentar o desgaste político e institucional.
A polêmica em torno do caso Banco Master ganhou novos capítulos após a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar pedidos que questionavam a permanência de Toffoli como relator. A PGR decidiu rejeitar a solicitação de afastamento, entendimento que foi recebido pelo ministro como uma validação de sua atuação. Em nota pública, Toffoli afirmou que a decisão do procurador-geral Paulo Gonet reafirma a regularidade dos procedimentos adotados por ele no processo.
“Todos os requerimentos formulados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal foram integralmente deferidos. Em razão disso, todas as medidas investigativas foram autorizadas pelo relator e as apurações encontram-se atualmente sob a custódia da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, responsáveis pela análise do material e pela instrução dos procedimentos”, declarou o ministro no comunicado. A fala buscou reforçar que o STF, segundo ele, vem atuando dentro dos limites constitucionais, respeitando as atribuições dos órgãos de investigação.
Apesar da defesa feita por Toffoli, o caso Banco Master segue sendo alvo de críticas de setores da sociedade, de parlamentares e de juristas. Questionamentos sobre a imparcialidade do relator e sobre decisões tomadas ao longo do processo motivaram, inclusive, representações formais contra o ministro. Ainda assim, dentro da Corte, Toffoli encontrou apoio de figuras importantes.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, manifestou-se publicamente em defesa da atuação de Toffoli. Embora não tenha citado nominalmente o caso Banco Master, Fachin destacou que situações com impacto direto sobre o sistema financeiro nacional exigem respostas firmes, coordenadas e estritamente constitucionais por parte da Suprema Corte.
“A Corte constitucional brasileira se pauta pela guarda da Constituição, pelo devido processo legal, pelo contraditório e pela ampla defesa, cumprindo respeitar os campos de atribuições do Ministério Público e da Polícia Federal, porém atuando na regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito dessa Suprema Corte pelo ministro relator, Dias Toffoli”, afirmou Fachin. A declaração foi interpretada como um claro gesto de respaldo institucional ao colega.
O presidente do STF também elevou o tom ao comentar as críticas dirigidas ao Supremo. Segundo Fachin, a Corte não se curva a ameaças ou intimidações e não pode ter sua autoridade corroída por pressões externas. “Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade, a fim de provocar o caos e a diluição institucional, está atacando o próprio coração da democracia constitucional e do Estado de direito”, declarou.
Para Fachin, defender o Supremo é defender as regras do jogo democrático. Ele ressaltou que nenhuma pressão política, corporativa ou midiática pode revogar o papel constitucional da Corte, sob pena de se permitir que a “força bruta substitua o direito”. A fala foi vista como uma resposta direta a setores que pedem mudanças na condução de processos sensíveis ou questionam decisões judiciais de grande repercussão.
Enquanto isso, o caso Banco Master continua a avançar sob a relatoria de Toffoli, com as investigações concentradas na Polícia Federal e no Ministério Público Federal. A insistência do ministro em permanecer à frente do processo indica que o embate interno no STF ainda está longe de um desfecho definitivo. O episódio expõe, mais uma vez, as tensões existentes dentro da Corte e o delicado equilíbrio entre críticas públicas, autonomia judicial e preservação da imagem institucional do Supremo Tribunal Federal.
