O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou de forma categórica, nesta terça-feira (27), ter participado de uma reunião com o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, na residência do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master. A negativa foi feita por meio de nota oficial divulgada após a publicação de uma reportagem que apontava a existência do suposto encontro, revelado por testemunhas ouvidas pela coluna da jornalista Andreza Matais, do portal Metrópoles.
Segundo a reportagem, o encontro teria ocorrido em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, na mansão de Vorcaro. De acordo com o relato apresentado, Daniel Vorcaro teria solicitado que Paulo Henrique Costa fosse até sua casa, justificando que “o homem estava lá”, em uma suposta referência direta ao ministro Alexandre de Moraes. Ainda conforme a apuração jornalística, Moraes estaria acompanhado de um assessor no momento em que foi apresentado ao então presidente do BRB.
A divulgação da informação rapidamente repercutiu nos meios políticos e jurídicos, sobretudo em um contexto de forte exposição do Supremo Tribunal Federal e de seus ministros, frequentemente alvos de críticas, questionamentos e ataques nas redes sociais e em setores da opinião pública. Diante da repercussão, Moraes decidiu se manifestar oficialmente para rebater a versão apresentada.
Na nota, o ministro foi direto ao classificar a informação como inverídica. “A reportagem sobre uma suposta reunião do ministro Alexandre de Moraes, acompanhado por um assessor, com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, na casa do banqueiro Daniel Vorcaro, é falsa e mentirosa”, afirmou. Moraes enfatizou que o encontro simplesmente não ocorreu e que a narrativa divulgada não corresponde aos fatos.
Além de negar o conteúdo da reportagem, o ministro aproveitou a nota para fazer uma crítica mais ampla ao que classificou como um padrão recorrente de ataques contra integrantes da Suprema Corte. Segundo ele, a publicação se insere em uma estratégia deliberada de desinformação. “Essa reunião não ocorreu e, lamentavelmente, segue um padrão criminoso de ataques desqualificados contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal”, declarou Moraes, em tom duro.
A manifestação do ministro ocorre em um momento de elevada tensão institucional, no qual decisões do STF, especialmente em temas políticos sensíveis, têm provocado reações intensas. Alexandre de Moraes, em particular, tornou-se uma das figuras mais centrais e também mais controversas do tribunal, por sua atuação em inquéritos que investigam ataques à democracia, disseminação de notícias falsas e condutas antidemocráticas.
O nome de Daniel Vorcaro também tem aparecido com frequência em reportagens recentes, em meio a investigações, disputas judiciais e questionamentos envolvendo o setor financeiro. Já Paulo Henrique Costa, citado na reportagem, presidiu o BRB em um período marcado por expansão da instituição e por parcerias estratégicas, o que naturalmente atraiu atenção política e midiática.
Até o momento, não houve manifestação pública de Vorcaro ou de Paulo Henrique Costa sobre a nota divulgada por Moraes. O portal responsável pela publicação também não informou se pretende responder oficialmente à negativa do ministro ou apresentar novos elementos que sustentem a versão apresentada pelas testemunhas ouvidas.
Nos bastidores de Brasília, a reação de Moraes foi interpretada como mais um sinal de que o ministro pretende reagir com firmeza a qualquer informação que considere falsa ou ofensiva à imagem do STF. Integrantes da Corte avaliam que a disseminação de notícias não verificadas sobre ministros contribui para desgastar a credibilidade das instituições e alimentar um clima de desconfiança generalizada.
Especialistas em direito constitucional ouvidos reservadamente destacam que, embora a imprensa tenha o dever de investigar e publicar informações de interesse público, também é fundamental garantir a veracidade dos fatos e o direito de resposta dos envolvidos. A nota de Moraes, nesse sentido, reforça o embate entre liberdade de imprensa, responsabilidade jornalística e a proteção da honra de autoridades públicas.
O episódio deve continuar repercutindo nos próximos dias, especialmente diante do cenário político polarizado e da constante vigilância sobre os atos e relações de membros do Supremo Tribunal Federal.
