A Moraes, Michelle teria citado benefício dado a Collor, diz jornal

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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro teria mencionado o benefício concedido ao ex-presidente Fernando Collor durante uma reunião com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao defender a concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O encontro ocorreu no último dia 15 de janeiro e foi revelado nesta quinta-feira (22) pelo jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a publicação, Michelle questionou diretamente o ministro sobre a possibilidade de Bolsonaro receber tratamento semelhante ao concedido a Collor, que em maio do ano passado obteve autorização para cumprir pena em regime domiciliar. Na ocasião, o benefício foi concedido com base em um diagnóstico de Parkinson, levando em consideração o risco de quedas e o estado de saúde do ex-presidente alagoano.

Segundo os relatos, Alexandre de Moraes respondeu que a decisão envolvendo Collor foi fundamentada em laudos médicos específicos, que apontavam limitações físicas e riscos concretos à integridade do ex-presidente. Ainda assim, a conversa prosseguiu em tom considerado cordial, sem registros de discussão acalorada ou confronto entre as partes.

Na sequência, Michelle Bolsonaro teria passado a relatar de forma detalhada as condições de saúde do marido. Conforme descrito pela Folha, a ex-primeira-dama mencionou os medicamentos que Jair Bolsonaro vem utilizando, os efeitos colaterais provocados pelo tratamento e os riscos associados, incluindo episódios de tontura e possibilidade de quedas frequentes.

Um dos pontos citados por Michelle teria sido a queda sofrida por Bolsonaro no último dia 6 de janeiro, nas dependências da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O episódio foi usado como argumento para reforçar a necessidade de uma avaliação humanitária da situação do ex-presidente, que atualmente cumpre medidas restritivas impostas pelo STF.

Ainda de acordo com o jornal, Michelle também abordou o episódio ocorrido em novembro, quando Bolsonaro tentou violar a tornozeleira eletrônica utilizando um ferro de solda. Na reunião, ela teria atribuído a atitude aos efeitos colaterais dos medicamentos em uso, sustentando que o ex-presidente não teria tomado tal iniciativa se ela estivesse presente em casa naquele momento.

Na data do ocorrido, Michelle Bolsonaro estava no Ceará, onde participava de um evento do PL Mulher, braço feminino do Partido Liberal. A ex-primeira-dama teria ressaltado ao ministro que sua ausência contribuiu para a falta de supervisão direta sobre o estado emocional e físico de Bolsonaro, o que, segundo ela, agravou o episódio envolvendo o equipamento de monitoramento.

O encontro entre Michelle Bolsonaro e Alexandre de Moraes ocorre em meio a um contexto de forte tensão política e jurídica envolvendo o ex-presidente. Desde que passou a cumprir medidas determinadas pelo STF, Bolsonaro e seus aliados têm buscado alternativas legais para flexibilizar o regime imposto, alegando questões de saúde e idade avançada.

A estratégia de mencionar o caso de Fernando Collor é vista por analistas como uma tentativa de estabelecer um precedente jurídico e humanitário. Para aliados de Bolsonaro, há semelhanças entre os quadros clínicos que justificariam tratamento semelhante por parte do Judiciário. Já críticos apontam que cada caso possui particularidades e que decisões desse tipo dependem exclusivamente de laudos técnicos e avaliações médicas formais.

Até o momento, não há informação oficial de que Alexandre de Moraes tenha sinalizado qualquer mudança imediata no regime imposto a Jair Bolsonaro. O STF também não se pronunciou publicamente sobre o conteúdo da reunião nem sobre eventual pedido formal de prisão domiciliar apresentado pela defesa do ex-presidente após o encontro.

Nos bastidores, interlocutores próximos à família Bolsonaro afirmam que a conversa teve como objetivo principal sensibilizar o ministro quanto à situação pessoal e de saúde do ex-presidente, evitando um agravamento do quadro físico e psicológico. A avaliação é de que a exposição detalhada feita por Michelle buscou humanizar o caso, afastando o debate exclusivamente político.

Por outro lado, setores da sociedade civil e do meio jurídico veem com cautela qualquer possibilidade de flexibilização das medidas impostas, argumentando que decisões judiciais devem seguir critérios técnicos rigorosos e isonômicos, independentemente da posição política ou da relevância pública do investigado.

O episódio envolvendo a reunião reforça a centralidade de Alexandre de Moraes nas decisões relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e mantém o tema no centro do debate político nacional. Enquanto aliados defendem uma abordagem humanitária, críticos acompanham atentamente os desdobramentos, atentos a qualquer sinal de mudança no entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o caso.

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